Prepaprei uma matéria especial para o jornal onde trabalho e, mais do que isso, saí por aí distribuindo sorrisos e gentilezas :)
Como gosteid as atitudes, coloco aqui.
Beijo grande
PAZ
Jéssica Balbino

Engarrafamento, estresse, violência e a cultura de pressa.
A cena é típica em qualquer cidade de grande e médio porte do mundo e o motorista de um ônibus preso no trânsito da capital do Rio de Janeiro achou absurdo receber uma flor de presente das mãos de um jovem numa manhã de um dia de semana qualquer.
A expressão sisuda se transformou num sorriso e o dia dele mudou.
Assim como este motorista, anônimo numa metrópole, outras 300 pessoas foram contagiadas pela gentileza do grupo de jovens de não mais de 25 anos, que se reuniu para despertar nas pessoas bons sentimentos apenas por acreditar que as coisas simples fazem a diferença num dia atribulado.
Mesmo sem conhecer a data, instituída mundialmente em 1996 como Dia da Gentileza, o assistente social Eduardo Herrera, 24 anos, por ver o tema estampado em pelo menos 56 viadutos e muros e ter se transformado até mesmo em letra de música, passou a estudar as ações de José Dantrino, conhecido como profeta Gentileza, que em 1980 passou a pintar as paredes da cidade carioca com os dizeres "gentileza gera gentileza", espalhando o sentido de atitudes simples como dizer "bom dia", "por favor" e "obrigado".
Para agradecer, gentilmente, o profeta pela ação deixada, os jovens realizaram um sarau em sua homenagem e após entregarem flores no centro do Rio, partiram para os bairros periféricos. "Percebemos que não queremos esperar uma tragédia para praticar a gentileza. Tem gente matando por um bom dia, a gentileza está num pequeno gesto que acaba com os escudos da cidade", conta.
Para ele, as pessoas que foram abordadas com as flores, poesias e palavras gentis absorveram a idéia, "viram que não éramos apenas um grupo de malucos divertindo as pessoas".
Entre as flores distribuídas para os moradores, os girassóis eram os que provocavam os sorrisos mais sinceros e intensos. "Quando acabaram estas flores, conseguimos outras numa floricultura do subúrbio. Quem nos atendeu nem sabia quem era o profeta, mas gostaram da ideia e nos deram as flores, atingimos muitas pessoas indiretamente, porque muitos paravam para observar ou mesmo ouvir uma poesia", lembra.
Em especial, Herrera conta que se emociona ao lembrar de uma senhora que recebeu uma flor das mãos de uma menina que acompanhava o grupo. "Ela ficou muito emocionada e emocionou todos nós". Para ele, todos se sentiram com a missão cumprida naquele momento. "A gentileza desperta outros bons sentimentos".

A data - Tornar a vida no planeta menos complicada e mais agradável é o objetivo da data, criada numa conferência em Tóquio (Japão).
Comemorada hoje - 13 de novembro - no Brasil, o movimento "World Kindness Movement" é representado pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), que neste ano comemora a eleição da cidade de São Paulo como a quarta mais cordial do mundo, segundo uma pesquisa realizada pela Reader´s Digest, que avaliou 35 cidades de vários países. A capital paulista fica atrás apenas de Nova Iorque (EUA), Zurique (Suíça) e Toronto (Canadá). O presidente da ABQV, Alberto Ogata, acredita que o resultado mostra que São Paulo, apesar de ser uma grande metrópole, tem uma população que, a despeito das dificuldades, como a desigualdade social, a violência e os graves problemas sociais, busca, através dos laços sociais, da gentileza e da cordialidade, encontrar caminhos para uma vida mais integrada e saudável. Ele considera que, naturalmente, essa não é uma regra na relação entre as pessoas, mas é possível estimular cada vez mais este tipo de atitude entre os paulistanos.
Brasil - Como considera a representante do "World Kindness Movement" no Brasil, Sâmia Simurro, o bem-estar não é atingido somente com a mudança do estilo de vida, como ser mais ativos, não fumar e comer adequadamente.
"As pessoas precisam de relações sadias, reduzindo o estresse, a raiva e as atitudes violentas".
Sâmia acredita que isso começa com pequenos gestos espontâneos e dirigidos para pessoas que trabalham juntas, se encontram nas ruas, nos ônibus e supermercados.
"Esse tipo de atitude deve ser ensinada na escola, desde a infância, para que se incorpore ao comportamento do dia-a-dia", destaca.
Em Poços de Caldas, para o dia de hoje não há nada programado como comemoração, entretanto, esporadicamente, ações gentis são desenvolvidas por grupos de pessoas, como o projeto "Passa Livros", que tem como objetivo fazer as histórias circularem entre as pessoas ao invés de ficarem aprisionadas nas estantes. Livros usados e em bom estado são doados, para que se sejam lidos e repassados a outras pessoas.

Atitudes - Cumprimentar desconhecidos com olá e bom dia, prestar atenção em mendigos e pedintes, tratar bem empregados de menor remuneração e não fazer distinção entre doutores e porteiros de condomínios.
Atitudes como estas parecem estar "fora de moda" na sociedade cada vez mais individualista e consumista.
Embora sem uma comemoração específica na data, algumas pequenas atitudes praticadas individualmente podem transformar dias e isso acontece também em Poços, como é o caso do professor Mário Ernesto Rodrigues, 51 anos.
Formado em sociologia e mestre em antropologia, ele conta que se esforça para praticar gentilezas no dia-a-dia e que tenta transmitir isso aos alunos, familiares e conhecidos. "Tento me dirigir aos ‘invisíveis’ para tentar lhes restaurar parte de sua dignidade, tão afetada pelo desprezo dos demais".
Para ele, a cultura da pressa e do individualismo isola as pessoas e os menos favorecidos se tornam cada vez mais distantes da integração do mundo, o que pode ser mudado através de pequenas atitudes. "No ambiente de trabalho, se vou buscar água, posso oferecer aos colegas".
Entretanto, ele pensa que é um trabalho árduo convencer as pessoas a abrirem mão do "conforto" para servir ao próximo.
"Diariamente vejo jovens sentados nos assentos reservados aos idosos, gestantes e obesos nos ônibus da cidade. Eles acreditam que como estão pagando pela passagem têm este direito e esquecem que um dia vão envelhecer também. Aí falta um pequeno gesto de gentileza que muda o dia de um idoso, de uma pessoa com dificuldades de locomoção. Gentileza é cidadania", considera.
Fato comprovado. O aposentado Lúcio Santos, 73 anos, relata situação semelhante quando tem que viajar de ônibus entre o bairro onde mora – Estância São José – e o centro da cidade. "Várias vezes tenho que fazer o trajeto em pé no ônibus, mesmo usando uma bengala para me dar apoio, vários jovens ocupam os assentos destinados aos idosos".

Garçons, porteiros e empregadas domésticas também se queixam da falta de gentileza. O porteiro Paulo José Machado relata que frequentemente é maltratado no condomínio onde atua. "Por ser um local onde residem pessoas de alto nível social elas me encaram como um subalterno e por isso imaginam que não mereço respeito e gentileza. Ao contrário do que vivo aqui, tento ser gentil com as pessoas nas ruas e ônibus".
Outro problema apontado pelo sociólogo é a falta de respeito no trânsito, tanto que um projeto como este já foi feito na cidade pela psicóloga do trânsito Adélia Suzana Del Sarto. Chamado de "Gentilezas no Trânsito", o projeto leva ensinamentos sobre o respeito nas faixas de pedestres e nas sinalizações.
Contudo, para fazer a diferença, a psicóloga Andréia Tavares de Lima Leal procura se inspirar em filmes, músicas e atitudes como as do profeta gentileza para aplicar no dia-a-dia, mesmo que sutilmente.
"Nunca pensei em realizar uma ação isolada, mas, diariamente, tento dar atenção a quem encontro, seja numa loja, restaurante, no trabalho, no ambiente de estudo, enfim, procuro não entrar na pressa cotidiana que nos afasta dos pequenos gestos e em casa tento passar isso aos meus filhos. Sei que é pouco, mas de repente, contagio outras pessoas", enfatiza.
Mesmo com um gesto pequeno, a jornalista Lucienne Cunha, 41 anos, tenta praticar a gentileza e enquanto se dirigia para a redação do jornal auxiliou uma senhora idosa a cruzar uma avenida na faixa para pedestres.
"Ela me pediu que a ajudasse a atravessar a rua, mas muitas vezes os idosos não pedem ajuda e precisam, por isso, acho que não custa nada oferecer", destaca.















