Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

terça-feira, 12 de novembro de 2013

ESSE TIOZINHO DE 39 ANOS CHAMADO HIP-HOP


Salve !
Nesta terça-feira (12) o hip-hop completa 39 anos (oficialmente falando, desde que Afrika Bambaataa juntou os elementos e os batizou) e já é um tiozinho. Mas, como a vida começa aos 40, temos muitas esperanças. Difícil fazer um texto sobre algo tão amplo e que é tão presente e latente na minha vida há pelo menos 15 anos – tenho 28.
Neste 12 de novembro, acordei e pensei no quanto essa cultura que envolve DJ, MC, dança e graffiti – além de tantas outras coisas – é importante para mim. Resolvi mandar uma mensagem pelo celular aos meus amigos. E foi aí que percebi: pelo menos 90% dos meus amigos eu conheci por meio do hip-hop.
Ainda lembro do exato momento em que uma música diferente me fisgou para dentro de um poliesportivo. Lembro como eu fiquei fascinada com os garotos que dançavam no chão e em como eu saí dali transformada. Nunca mais parei!
Enviando um feliz dia pros meus amigos, pensei que sou o que sou por causa do hip-hop. E isso pode parecer nada. Pode parecer motivo de zombaria. Pode parecer qualquer coisa, mas é tudo que eu sou. Embora sejamos incompreendidos e isso nos faça ter, constantemente, vontade de jogar a toalha, há algo que me move, algo que alimenta minha alma, algo que faz com que eu me sinta viva, ligações – para além do telefone – que fazem com que eu desista de desistir (?) e continue.
Continue, porque um dia vi o mesmo brilho nos olhos dos meus amigos. Porque me enxergo neles. Porque durante muito tempo, o hip-hop foi a única coisa que eu tive. Porque me tornei jornalista por causa dele. Porque conheci a literatura marginal por causa do hip-hop. Porque comecei a pesquisar e escrever por causa dessa cultura.
E cá estou novamente me justificando. Mas, fiquei pensando em por que, de fato, o hip-hop me seduz tanto. Não sei dizer. É como paixão à primeira vista, como tesão: ou você tem, ou não tem. Eu poso dizer que esta cultura moldou a minha vida. Descortinou um – ou vários – mundo quando eu ainda era só uma adolescente.
Minha formação cultural, social, feminista. Tudo isso eu devo ao hip-hop. E  às vezes acho que ainda contribuo pouco. Que poderia fazer mais. Que poderia me lançar de fato. E sempre penso: vale a pena? Acho que depois de 15 anos, eu deveria ter a resposta. Mas é como estar na fase inicial da paixão. Tudo excita e dá medo.
Eu poderia usar o dia de hoje para discorrer, historicamente, sobre várias questões. Para propor embates, para lançar provocações. Mas, sinceramente, hoje não.  Acho que é um dia para sentir gratidão. Para pedir perdão. Para sentir. E só. Um dia em que eu não quero atacar ninguém. Que eu não quero saber quem é da escola X ou Y, que eu não tô nem um pouco a fim de saber se tal MC fez rima contra tal rapper, ou se fulano foi à mídia. Não quero!
Aos 39 anos de uma cultura que se une e faz um evento lindo em prol da Favela do Moinho, que faz uma mostra de 9 dias com cultura na periferia, que impulsiona uma feira literária só na periferia, que percorre o mundo com seus livros, que é obrigada a traficar conhecimento, que é tão divergente, que é tão efervescente, que é tão tão … ufa! Não quero provocações. Quero agradecer.
Quero dizer que se não fosse isso. Eu não seria. Fiquei pensando em como seria a minha vida sem os meus amigos de hoje, sem os lugares que passei, sem os eventos que fiz, sem os roles – e aí me lembrei da música do Correria “quantas loucuras eu não já fiz pra ir num show de rap? Quantas catracas eu não pulei pra ir no show de rap?” – e é bem isso. Que histórias eu teria para contar se fosse diferente?
De certo modo me sinto especial por fazer parte de uma cultura tão linda, tão transformadora, com tanto compromisso social, com tanta mudança e tanta transformação. Hoje cedo, quando acordei e pensei nesses 39 anos, me lembrei dos guerreiros que estavam aqui antes, numa época em que as informações eram escassas, que tudo era mais difícil, que as coisas não chegavam com tanta facilidade e que a luta era tão forte.
Me lembrei que sou muito pequena para desistir de algo tão grandioso. Que não tenho esse direito. Por isso citei lá em cima que seria dia de pedir perdão. Perdão pelo desânimo, pelas vezes em que deixei de acreditar, pelas vezes que não eu não consegui separar o joio do trigo, que eu não consegui ser justa, que eu não consegui ser correta, que eu misturei as coisas, que eu me confundi.
E gratidão. Gratidão por poder aprender tanto. Por ter tido uma vida que eu acredito ser a melhor que eu poderia ter por causa do hip-hop. Por ter os amigos que tenho. Por ter para onde me refugiar – livros, músicas, campeonatos, eventos, discussões -. E, por alguns momentos eu fico feliz. Feliz porque somos a única cultura que faz seminários, fóruns, workshops, que faz questão de atuar em frentes de formação e não apenas da diversão pela diversão.
O hip-hop é a única cultura que eu conheço que se preocupa com isso. Que criou uma escola. Que vai desde a Câmara dos Deputados a presídios. Que passeia por bibliotecas. Que veio da periferia e permanece para ela horizontalmente. Que é capaz de se preocupar com os cidadãos. Claro que isso não é uma regra e a Zé-povinhagem é maior sempre. Mas eu sou otimista. Gosto de acreditar num hip-hop transformador. Compro a briga que for preciso para defender minha cultura. E gostaria que todos fizessem isso.
Mas onde mais veríamos uma cultura capaz de se organizar em prol de diferentes campanhas. Capaz de lutar pelas minorias. Capaz de levar cultura onde ela nunca foi cogitada. Capaz de unir gente de todas as idades, cores, credos. Eu não conheço. E por isso talvez eu seja tão fascinada pelo hip-hop. Pela ancestralidade que ele traz consigo. Pelas expressões tão verdadeiras. Pelo brilho nos olhos de quem o pratica de verdade. Aliás, pelas verdades.
Sim, eu acho que precisamos amadurecer muito. E por isso hoje não quis apontar as coisas que só me chateiam. Mas, quero lembrar das coisas boas. Quero me lembrar que eu sou filha desse movimento (?) – que não podemos chamar assim por não ter uma pauta única – dessa cultura. Sou cria dessa efervescência que brota nas periferias de todo o país. Sou uma pessoa que precisou – e ainda precisa – dessas manifestações culturais para se firmar.
Preciso chegar em casa e ler um livro. Preciso conhecer meus heróis, preciso conhecer meus antepassados. Preciso conhecer as letras dos meus amigos – e aliás, o hip-hop é a única cultura que me permite que eu trombe meus ídolos na rua, no role, na balada – permite que meus ídolos sejam meus amigos. Que eu possa abraçá-los e dizer como eles são importantes, como eu tenho orgulho. Permite que estes mesmos amigos me telefonem, me visitem, estejam comigo dia a dia, lado a lado, mesmo que não fisicamente. Mesmo que não todos os dias. Mas acredito que para sempre.
E fica aqui minha gratidão a cada um dos meus amigos – que sabem quem são – e que me ajudam a seguir adiante. Na cultura, pelo hip-hop. O que eu sou.
Paz, amor, diversão e união ;)
@jessicabalbino ao som de Life Goes On (2Pac)www.jessicabalbino.blogspot.com

terça-feira, 29 de outubro de 2013

#ChupaElite

Hoje a minha vontade era sair voando pela janela do 10º andar, dar um mortal pra trás - ou vários - beber até cair (sim! eu merecia um porre), um sarau, um recital, um show de rap, um show de MPB, um show na quebrada. Colocar todos os meus amigos num abraço só. Tirar cada um de sua 'casinha' e 'caixinha' e jogar numa roda. Gritar palavras de ordem, que no meu linguajar são coisas como: Uh! Cooperifa! A Parada Não Para!, entre outras. Chorar de emoção. De alegria. De tristeza. Jogar o resultado na cara do mundo e dizer: #ChupaElite! E tudo isso seria apropriado. Num país em que policiais exterminam – com direito a honra ao mérito – a juventude pobre e preta das periferias, em que ‘humoristas’ provocam traumas e param o maior banco de leite materno de um pequeno estado nordestino, em que todo tipo de preconceito: homofobia, gordofobia, xenofobia – é normal.

Uma pessoa pobre, que estudou a vida inteira em escola pública, foi bolsista na faculdade e passou 4 anos com uma única calça jeans passar no processo seletivo do mestrado de uma universidade pública é quase uma afronta. A classe média sofre. A elite se descabela (eu nem esse luxo tenho mais). Se mata. Se morde. Não se conforma. São contra cotas. Bolsas. São contra pobres. São contra tudo que não atende seus padrões e não alimenta seu mundinho podre e mesquinho. Vá se foder! Minha vontade hoje é me acabar em #PinosPoéticos. É correr todas as periferias do Brasil. É sentar e ouvir meus escritores preferidos – e vivos -.

Desculpa, sociedade! Perdão, mas eu consegui. E você, classe média e toda sua mesquinhez, não é parte disso. Meus amigos são. Meus autores são. Meu feminismo, meu hip-hop e a minha literatura marginal são. E somente nós.

Hoje é um dia em que eu me lembro de muita coisa. Me lembro de uma palestra há exatos 365 dias em Salvador (BA). Um rolê no pelourinho e um dos dias mais mágicos da minha vida ao lado de um grande amigo/irmão que eu conhecia apenas da tela fria e que veio pra realidade pra mudar tanta coisa. Pra mostrar que o que eu falava podia ser força. Para lembrar que minha palavra podia transformar.

Hoje é o Dia do Livro e eu já falei disso mais cedo. Hoje é um dia de abrir novos caminhos. Dia que eu tenho vontade de me sentar e bem quietinha lembrar de cada um que já passou por aqui. Dia que eu tenho vontade de subir no mesmo palco que a banda Poesia Samba Soul e toda família Cooperifa e cantar: A ESTRADA do Cidade Negra, porque é uma canção
que mexe não apenas com o Sérgio Vaz, mas comigo também.

Dia de ouvir SHOW DE RAP do Correria e cantar alto a letra porque me representa e me faz lembrar dos corres que eu já fiz pra estar envolvida nessa cultura. Me faz lembrar que fui dormir às 3h e acordei às 7h porque tava no sarau.

Dia de lembrar quantas loucuras, quantas catracas puladas, quantas caronas, quantas loucuras. “É como se fosse um vício, a minha alma pede”.

Dia de ouvir rap das antigas. Dia de ouvir rap novo. Dia de ouvir Lauryn Hill. Dia de viver. Dia de renascer. Dia de lembrar cada dia até aqui. Cada noite virada. Cada livro lido. Cada corre feito. Cada vez que abri de algo por conta de um sonho. E o sonho é esse. É viver do que eu amo. É respirar isso. É celebrar a minha literatura, que me tornou tudo sou. É me fundir com quem sou, exatamente assim.

Queria que hoje, no dia de hoje, meu coração saísse do peito e pulsasse no papel. Na tela do computador. Hoje é um dia que estou feliz. Mas essa alegria vem da tristeza sentida todos os dias. Vem da dor. E da pergunta: por que atiraram em nós?  E todas sem resposta, muito além de qualquer problematização...

Dia de agradecer, um por um, olhando no olho se fosse possível, as inúmeras vezes que estiveram comigo. Ás vezes que deram força, às vezes que leram o pré-projeto, às vezes que viraram noites, que riram e chorar. Aos todos os dias e aos que estiveram comigo, apesar do que eu sou.

E, no dia de hoje, é ótimo para parafrasear um dos meus autores/amigos preferidos: Sérgio Vaz, afinal: você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...
Quando vi a estrada pela primeira vez nem sequer sabia o quanto ia ter que caminhar pra chegar até aqui, e mal sabia que esse tipo de estrada não fim, só paradas breves para que o coração possa registrar os momentos.
A vida não pára, nem aqui, nem hoje e talvez, nem nunca. Quem sabe o futuro?
Ninguém vence enquanto a luta não acaba, um dia como hoje é apenas uma vitória passageira, não chega a ser um nocaute, mas dá um certo prazer em olhar a cara do destino cheio de hematomas acuado nas cordas, como que surpreso pela nossa reação.
Quando olho no espelho também vejo as cicatrizes que carrego na face, todos sabem que a vida bate bem, e muitas vezes é traiçoeira, só quem nunca apanhou não sabe do que estou falando, mas de onde eu venho quase todos têm cicatrizes na alma. Um dia como hoje é algodão doce na ferida da gente.
Eu que sempre represei lágrimas, apesar de tudo, sempre achei que a vida é feita de pequenos milagres, e o riso que nasce da dor, como vocês sabem, é giz colorido na boca de poeta. Sofrimento pra nós é festa, muitas vezes sem hora pra acabar.
Mas hoje, exclusivamente hoje, não quero estar triste, tampouco quero uma alegria histérica estampada no rosto como vitrine de loja de shopping, quero apenas estar em paz. Nem como soldado nem como monge, como moleque comendo fruta no pé, encardido de suor, mas limpo na sombra.
Um dia para andar descalço, no escuro e nu de vaidade (vou tentar).
Andar com os pés no chão, mas sem pisar em brasas... não quero bolhas nos pés nem bolhinhas de sabão.
Se for proibido pisar na grama, deitar e rolar e seria bom.
Francamente, um dia como hoje é ótimo para dizer obrigado, não como pagar dívidas, mas para praticar a gratidão sem mesquinharia e sem nada em troca, porque pensando nos tantos amigos se foram, não tive oportunidade de dizer isso, na verdade tive, mas não disse, por isso, antes que eu ou você parta sem se despedir adequadamente, quero te pedir obrigado, por tudo, por nada obrigado.

Este dia em que a lágrima molha meu sorriso, é porque de alguma forma você está por perto. Eu sinto isso.
Como eu disse, nem alegre, nem triste. Em paz.
Só queria que você soubesse disso. (Sérgio Vaz)



É isso. Hoje é dia de celebrar o que é meu por direito. É dia de dizer: treme elite filha da puta! E seguir... de cabeça erguida!

#DiadoLivro

Hoje é #DiadoLivro e eu queria aproveitar, ao compartilhar este link, para dizer que eu tenho TODO ORGULHO DO MUNDO por fazer parte da #LiteraturaMarginal e por conhecer, olho no olho, muitos dos que fazem a #MUDANÇA com as próprias mãos por meio da força da palavra.
Quero dizer que lugar de literatura é na rua, nos botecos, nas quebradas, na sala de estar, na cesta básica, no meio do pão, na ladeira, na chuva forte, no sarau que nós precisamos reiventar, já que tudo nos foi negado.
Então, quero pontuar que eu tenho MUITO ORGULHO de ser amiga - pessoal e de letras - de quem escreve. De quem declama. De quem toma a poesia de assalto. De quem trafica conhecimento. De quem vende pó (esia). De quem faz concurso literário para crianças de escolas públicas. De quem faz letra de rap dentro do presídio. De quem faz mostra cultural da periferia para a periferia. De quem quebra qualquer tipo de bloqueio, parede, muro social invisível, muro de Berlim. De quem transpõe o que nos impuseram e pela força da palavra faz meu mundo melhor. E neste mundo melhor, posso transformar também o de outras pessoas.
Então, feliz #DiadoLivro a quem lê, a quem escreve, a quem sabe lidar com a palavra. A quem não caga regra, mas vai lá e faz. A diferença. A mudança. O que pode ser melhor.
Sei que é um caminho longo e difícil. Mas é a nossa história. E como diz Inquérito: 'Se a história é nossa, deixa que nóis escreve'.
Sem mais. Um beijo a todos vocês que me fazem sentir orgulho e ter fé no dia a dia. Muita poesia.





sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Renan Inquérito é convidado da Pré-Balada Literária em São Paulo, SP

Autor do livro de poemas concretos #PoucasPalavras apresenta novo projeto dos #PinosPoéticos

foto: Márcio Salata

No próximo sábado (5) a partir das 18h acontece a Pré-Balada Literária em São Paulo e o poeta e músico Renan Inquérito é um dos convidados do organizador Marcelino Freire. Ele também estará no evento oficial, que acontece no mês de novembro também na capital paulista.

Durante o evento, Renan Inquérito bate papo com os presentes e convidados e fala sobre o livro de poesias concretas #PoucasPalavras, bem como o trabalho como criador da Parada Poética e o mais recente projeto dos #PinosPoéticos – que consiste na distribuição de poesias encapsuladas.

Além dele, autores como Japa Tratante, João Vereza, Luis Rafael Monteiro, Lucimar Mutarelli, Paula Bajer e Sérgio Melo apresentam trabalhos recentes e conversam com o público.

O evento traz também a exibição do documentário “SP – Solo Pernambucano” de Wilson Freire e Leandro Goddinho.

Renan Inquérito declama Marcelino Freire
O texto “Da Paz” de Marcelino Freire é, constantemente, declamado por Renan Inquérito durante intervenções com a Parada Poética, que percorre bares, centros educacionais, Fundações CASA e espaços culturais.

Durante uma ação no Sesc São Carlos (SP), o poeta declamou o texto e durante a performance fez uma referência ao Amarildo – pedreiro desaparecido desde o dia 14 de julho na Rocinha, no Rio de Janeiro.

Veja vídeo 




Serviço
Pré-Balada Literária
Quando: 5 de outubro – sábado – a partir das 18h
Onde: B_arco Centro Cultural
Endereço: Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Centro
Ingresso: gratuito

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Abraços que não precisam de palavras

"Você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui (...)" 

foto:  Eduardo Toledo

Essa foto traduz um momento único. Quantas vezes na vida você tem a oportunidade de abraçar seus ídolos? E de conviver com eles? E de dividir momentos tão especiais e aprender?

E redundante escrever sobre isso, já que "tem palavras que chegam como um abraço. E tem abraços que não precisam de palavras".

Essa abraço no Sérgio Vaz foi durante a festa surpresa dos 25 anos dele como poeta. Ele tinha acabado de chegar no CEMUR de Taboão da Serra (SP) e encontrou não apenas a mim, mas inúmeros amigos, familiares, fãs e pessoas da comunidade que como eu, se inspiram na arte que ele faz com o coração.

"Milagres acontecem quando a gente vai à luta". E nunca foi fácil. Estar lá na sexta-feira não foi fácil. Olhar essa foto e ver que eu tenho cada dia menos cabelo também não é fácil. Viajar 300 km para participar da festa, tampouco. Me alimentar, diariamente, de poesia, mesmo estando longe, também não é fácil. Mas esse sorriso, esse abraço e a festa linda que eu vivi sexta-feira são o presente e o combustível para continuar seguindo - e sorrindo.

O Sérgio Vaz completou 25 anos de poesia. Só três a menos que a minha idade. E eu lamento ter demorado quase 15 para conhecer a literatura marginal e descobrir o que eu queria ser - não que eu já seja, mas caminho cada dia pelas estradas tortuosas da literatura e da poesia. Afinal, como disse o jornal O GLOBO, poesia rima com periferia e eu sou uma das que, distante, fui fisgada pela sementinha da Cooperifa, da literatura, da poesia e do Sérgio Vaz.



Sou daquelas que acreditam que revolucionários são todos aqueles que querem mudar o mundo e tem a coragem de começar por si mesmos. Acredito no sorriso sincero dessa foto. No abraço compartilhado. No 1/4 de século de poesia de um escritor que teve coragem de sonhar com as mãos, que teve coragem de mudar a periferia e não mudar-se dela, que teve coragem de abrir os braços para uma comunidade e não fez nada além do que ele acredita ser um castigo: escreveu e recitou poemas.

Ser poeta é um castigo? Talvez! No caso do Sérgio Vaz, um castigo que se estende para outros bairros, cidades e estados. Um castigo que me dói todas as vezes que ouço os gritos de 'Uh! Cooperifa', porque são eles que fazem minha alma vibrar e meu coração pulsar.

E é isso. Esse abraço faz a alma sorrir direto do coração. É muito amor pela poesia. Parabéns, poeta, pelos seus 25 anos de poesia. E obrigada por TUDO, por nada obrigado.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

7ª edição da Parada Poética acontece na próxima segunda-feira em Nova Odessa, SP

Escritor convidado para o evento gratuito é o poeta Caco Pontes, autor do livro ‘Sensacionalíssimo’


A partir das 19h da próxima segunda-feira (23), a poesia toma conta de Nova Odessa (SP) com a 7ª edição da Parada Poética, que desta vez traz como convidado o escritor e poeta Caco Pontes, do coletivo Poesia Moloqueirista e que lançou recentemente o livro “Sensacionalíssimo”, inspirado em ‘contos de jornais’.

Criado pelo poeta, músico e geógrafo Renan Inquérito e pelo fotógrafo Márcio Salata, o evento, que já se tornou uma tradição mensal na região e chega a receber, por edição, cerca de 300 pessoas.

A Parada Poética oferece também música e nesta edição traz o artista Marcelo Morais. Há ainda a distribuição gratuita dos #PinosPoéticos – pequenas cápsulas com poesias e sem restrição de consumo.



Teremos uma noite de poesia dedicada a todos aqueles que tem a coragem, pelo menos uma segunda-feira por mês, de fazer o improvável, desligar a TV ou o computador e ir para um sarau”, convida Renan Inquérito.

O encontro tem microfone aberto e o público pode contribuir com contação de poesias. “Venham, pois a entrada é franca e as ideias também”, convidam.

Sobre a Parada Poética
Além de percorrer bares uma vez por mês na região, a Parada Poética chegou também às escolas e durante toda a última integrou o calendário da 4ª Semana da Juventude de Santa Bárbara D´Oeste (SP) com visitas a três escolas públicas, além de um show com o grupo Inquérito no encerramento do evento.

Assista ao manifesto da Parada Poética 




Serviço

O quê: Parada Poética
Quando: Segunda-feira (23) às 19h
Onde: Meu Bhar
Endereço: Rua Rio Branco, 310, Centro, Nova Odessa (SP)
Ingresso: gratuito
Classificação: Livre
Informações: Parada Poética 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Parada Poética leva 'tráfico de poesias' para escolas no interior de São Paulo

Renan Inquérito e Márcio Salata promovem o sarau durante a 4ª Semana da Juventude de Santa Bárbara D´Oeste 

foto: Jurssa Santos
“A parada não para”, sob esse grito de manifesto, a Parada Poética chega nesta semana à Santa Bárbara D´Oeste (SP) como parte da programação da 4ª Semana Municipal da Juventude.

O poeta, músico e geógrafo Renan Inquérito, acompanhado pelo fotógrafo Márcio Salata, farão visitas carregadas de poesia e cultura a três escolas do município. A iniciativa vai ao encontro da proposta do sarau, que é tirar a poesia das estantes e levá-las ao acesso do público, especialmente dos jovens.

A oportunidade de levar a Parada Poética até as escolas durante um evento de juventude é muito gratificante e casa justamente com o que queremos fazer, que é estabelecer o diálogo entre as artes, a cultura, a poesia e a população”, pontuou Renan Inquérito.

Durante o evento, os artistas declamam poesias no megafone, interagem com o público e os convidam a declamações e contação de poemas.

A ação envolve ainda a distribuição gratuita dos #PinosPoéticos – pequenas cápsulas que guardam poesias curtas – que tem transforma os poemas em objetos.

Além das edições da Parada Poética o Inquérito comanda o show de encerramento com as canções do disco ‘Mudança’ e os clássicos de quase 15 anos de carreira.

Sobre a Parada Poética
A Parada Poética surgiu da necessidade de promover arte e cultura em espaços diferenciados, como os bares. Desde março deste ano, ela acontece  mensalmente no interior de São Paulo e a cada edição, em um bar diferente entre as cidades de Nova Odessa (SP), Americana (SP) e Campinas (SP).

Recentemente, o evento aconteceu também no Sesc de São Carlos (SP) e na 5ª Jornada Literária em Araçatuba (SP), onde percorreu escolas e unidades da Fundação Casa.

Nossa proposta é apresentar a poesia como algo acessível a todos, despida de qualquer conotação cânone ou acadêmica. O objetivo é popularizar a palavra, a escrita e a leitura de maneira lúdica e compartilhada”, destacou Renan Inquérito.

Dentro do calendário oficial ela acontece na próxima segunda-feira (23) no Meu Bhar em Nova Odessa e traz o escritor Caco Pontes como convidado da edição.

Serviço 
Confira a programação da 4ª Semana Municipal de Juventude de Santa Bárbara D´Oeste 

Terça-feira - 17 de setembro – 19h
Abertura com a Parada Poética
Escola Irene

Quarta-feira - 18 de setembro – 19h 
Parada Poética
Escola Eduardo Silva

Quinta-feira – 19 de setembro – 10h
Parada Poética
Escola Sônia

Sábado – 21 de setembro – 17h 
Show com Inquérito

Praça da Cidade Nova

Assista ao manifesto da Parada Poética


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Renan Inquérito roteiriza espetáculo que transforma rap em ópera

Rapper fez o roteiro da obra ‘Ópera Rap Global’ para espetáculo que mescla cultura erudita com vivência urbana e hip-hop 

foto: Márcio Salata

Inédita no contexto que reúne orquestra, DJ, MCs e dançarinos, a ‘Ópera Rap Global’, roteirizada pelo rapper e poeta Renan Inquérito será lançada no próximo dia 13 de setembro. A montagem une a linguagem urbana, leva a rua para o palco e mistura a música erudita com o hip-hop. O evento de lançamento terá transmissão ao vivo via internet.

O espetáculo musical que funde o clássico e o contemporâneo foi inspirado no livro Rap Global, do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e mescla a representação da cultura popular, por meio do rap, com a cultura erudita, por meio da ópera.

“Foi uma experiência incrível, fui convidado pela Fabiana Menini (Trocando Ideia) e tive a honra de escrever este roteiro com o Boaventura, todo inspirado na obra dele, que é um pesquisador fantástico. Eu encarei esse trabalho como um desafio, caí de cabeça e após várias reuniões e leituras ele aconteceu”, disse Renan Inquérito.



A ‘Ópera Rap Global’ provoca mundos distanciados e ousa no campo artístico, o que contribui  para o processo de valorização dos atores locais e da cultura urbana por meio de elementos do hip-hop.

Para Renan Inquérito, o que representa a obra é o personagem Queni N.S.L. Oeste que por si, representa “um grito contra todos os outros gritos que até agora deram em nada”. “Ele representa os palestinos na faixa de gaza, os camponeses expulsos do campo, os imigrantes ilegais em busca de uma vida melhor em algum país do primeiro mundo. O Queni representa negros, mulheres e todos aqueles que de alguma forma são oprimidos pelo sistema vigente”, destacou o roteirista.



Lançamento da ‘Ópera Rap Global’ 
O lançamento do projeto será no próximo dia 13 de setembro no Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre (RS) e terá a demonstração do estudo feito pelo compositor Pedro Dom para a formação da orquestra, além da leitura cênica do prólogo da ópera e intervenção do sociólogo Boaventura, que vai expor sobre como foi a criação do personagem central.

A realização é do Instituto Trocando Ideia, que atua com a cultura hip-hop em Porto Alegre desde a década de 1990.

Serviço 
Lançamento

Dia 13 de setembro
Horário: 15h
Twitter: @operarapglobal
Link para assistir: www.youtube.com/ricotrosso 

MANIFESTO PARADA POÉTICA



MANIFESTO PARADA POÉTICA


Um lugar para recitar textos, versos, frases, poemas e revoltas. Seus e dos outros. Lendo, decorado, de improviso, não importa a forma, nós não temos fôrma. Não somos profissionais, queremos ser amadores, amadores da arte do ofício da palavra. 

Vamos libertar a poesia presa nos cativeiros das bibliotecas, vamos deixar fluir as letras aprisionadas nos cadernos, trancadas nas gavetas e acolher aqueles versos que vagam órfãos pelas ruas da cidade. Vamos dar uma casa para os poemas, um abrigo, uma morada. 

Serviremos palavras cruas, para que cada um prepare-as à sua maneira. Teremos rimas refogadas, sonetos assados, músicas à milanesa, poesias à bolonhesa, contos à carbonara e crônicas à dorê. Versos fritos também acompanham. Uma porção de gente, servida de vontade. Mas por favor, não me venha com poesias requentadas, enlatadas, tampouco de microondas. Queremos rimas precisas, porque o povo precisa! Palavras picantes, poema malagueta. 

Um lugar para maltratar a gramática e jogar a culpa na licença poética. Palanque dos poetas que fazem das palavras mais que um discurso. 
Um lugar para visitar e nunca mais voltar.... 
A ser o mesmo!

A entrada é franca e as ideias também. 


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Renan Inquérito leva poesia para Fundação Casa de Araçatuba durante Jornada Literária

Escritor participa de palestras nas instituições e também em escolas da cidade em evento literário


Percorrer as unidades da Fundação Casa do interior paulista em sido uma missão (?) na trajetória literária do poeta e músico Renan Inquérito. Na próxima sexta-feira (6), o rapper dá palestras para os internos de duas unidades em Araçatuba (SP), como parte da 5ª Jornada Literária da cidade.

Durante o encontro, Renan conta como conheceu o hip-hop e a partir daí, passou a valorizar a força da palavra até que se tornou escritor e hoje percorre o Brasil em palestras e eventos sobre literatura marginal.

“Visitar locais como as unidades da Fundação Casa é sair do lugar comum da música e da poesia e levá-la aos jovens. Quando eu tinha a idade deles, conheci a cultura hip-hop e me tornei o que sou hoje. Se me ajudou, penso que pode ajuda-los também e isso torna o trabalho extremamente prazeroso”, destacou o escritor.

Como parte da programação do evento, Renan Inquérito faz também palestras nas escolas Licolina Reis Alves e Clóvis de Arruda Campos a pedido dos professores da instituição de ensino.

Ainda durante as palestras, Renan Inquérito declama poesias do livro #PoucasPalavras, lançado em 2011, com poesias concretas, letras de música, ilustrações do grafiteiro Mundano e fotografias de Márcio Salata.

O poeta conta também a experiência como líder e vocalista do Inquérito e sobre a criação e disseminação 
de poesia no interior paulista com o sarau Parada Poética.

Para completar a programação ocorre um pocket show com o Inquérito no Teatro Castro Alves. A promessa é embalar o público com os clássicos “Dia dos Pais”, “Mister M” e “Meu Super Herói”.

Compromisso social
Na última semana de agosto Renan Inquérito esteve em duas unidades da Fundação Casa em Guarulhos (SP) para shows com o Inquérito, que além do papel musical, também enreda-se por campanhas nacionais de cunho educativo e cultural, como a “Um Brinde”, de combate ao alcoolismo, que em 2011 percorreu 200 pontos do Brasil e cinco do exterior para despertar a importância da consciência em relação ao consumo exagerado de bebidas. 

No mesmo ano, Renan Inquérito lançou o livro #PoucasPalavras, híbrido com o videoclipe de mesmo nome, que trata da literatura marginal no Brasil.

Em 2011 e 2012 o grupo já faz atividades e oficinas também em diferentes unidades da Fundação Casa no Estado de São Paulo.



Serviço

5ª Jornada Literária de Araçatuba

Quinta-feira – 05/09
Escola Estadual Clóvis de Arruda Campos
Fundação Casa – Unidade Araçá
Fundação Casa – Unidade Araçatuba

Sexta-feira - 06/09
Escola Estadual Licolina Villela Reis Alves
Show no Teatro Castro Alves 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mulheres são homenageadas em música sobre a literatura marginal

Ganhei uma homenagem muito bonita da Sara Donato na canção 'Quarto de Despejo'. Ela homenageia a Carolina Maria de Jesus e fala das pessoas que escrevem a história da periferia atualmente ;)
É um som bonito, #feminista e verdadeiro. Fiquei muito feliz e orgulhosa.
E retribuí da maneira que sei: escrevendo sobre isso, jornalisticamente.

MC RESGATA HISTÓRIA DE CAROLINA MARIA DE JESUS A PARTIR DA MÚSICA 


“A fome é amarela”. Esta frase que aparece repetidas vezes no livro “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus foram as que ‘tocaram’ a rapper Sara Donato, de 23 anos, para que ela fizesse a música “Quarto de Despejo”, faixa do disco “Made in Roça” e que conta e homenageia a primeira escritora favelada do Brasil.
“A obra dela me chamou a atenção porque todo mundo tem histórias para contar, seja do vizinho que chega bêbado ou da briga das vizinhas e ela conta esse tipo de coisa no livro, além da fome. Quando aborda, diz que a fome é amarela e isso é muito forte” 

De São Carlos (SP), a MC conheceu o livro em uma aula de português na escola regular e ao se identificar com a voz e o discurso da favela, mãe e que passou fome para criar os próprios filhos, resolveu fazer a canção, que vai além e homenageia as escritoras da ‘nova’ literatura marginal do país.

A canção levou cerca de três meses para ficar pronta. “Uma professora me incentivou a escrevê-la, então eu li o livro, procurei sobre a história da Carolina e resolvei escrever”, lembrou Sara.

O objetivo da música, que leva a produção de Thiago SM, foi tornar a obra de Carolina Maria de Jesus mais conhecida. “Muita gente que não conhecia comentou comigo, inclusive meus amigos, que quiseram saber quem era ela e foram atrás do livro”, comentou Sara.

Ponto para a artista, que enxerga uma ligação íntima entre a literatura e a música. “As duas são consideradas arte e tudo que é usado como forma de expressão é muito válido e a soma das duas atinge cada vez mais pessoas. Vejo pela literatura marginal, por exemplo. Pessoas que jamais ouviram um rap, mas recitam as letras e isso é muito válido”, acrescentou.

Agora, para saber mais, só ouvindo a canção, disponível no link (https://soundcloud.com/sara-donato-2012/06-quarto-de-despejo-prod), afinal:  “Uma palavra escrita não pode nunca ser apagada. Por mais que o desenho tenha sido feito a lápis e que seja de boa qualidade a borracha. O papel vai sempre guardar o relevo das letras escritas. Não, Senhor! Ninguém vai apagar as palavras que eu escrevi”.

Serviço - Mais informações Sara Donato podem ser obtidas pelo Facebook


O disco “Made in Roça” pode ser baixado pelo link: www.mediafire.com/download/j5t6uno…ecords_2013).rarwww.mediafire.com/download/j5t6uno…ecords_2013).rar

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mulheres representam a periferia em encontro poético no Flipoços


Elizandra Souza, Lunna Rabeti e Lívia Cruz são as convidadas para o debate 

A partir das 16h da próxima terça-feira (30), o palco principal do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) recebe militantes do feminismo na cultura hip-hop e nas periferias brasileiras para um debate que explora a poesia feminina na literatura da periferia.
As convidadas são a jornalista e escritora Elizandra Souza, que em 2012 lançou o livro ‘Águas da Cabaça’, com os poemas escritos ao longo dos últimos anos, entre eles o  ‘Em Legítima Defesa’, que inspirou o videoclipe ‘Nada foi em Vão’, da cantora Lívia Cruz, que também é uma das convidadas para o debate. No material audiovisual, a cantora explorou a violência contra as mulheres e utilizou elementos poéticos e rostos femininos para lembrar que a cada 15 segundos, uma mulher é vítima de agressão no Brasil.
Para completar o debate, a convidada é a criadora da FrenteNacional de Mulheres do Hip-Hop (FNMH²), Lunna Rabeti, que em 2012 ajudou na criação do livro coletivo ‘Perifeminas’ que envolveu cerca de 60 mulheres das periferias de todo o Brasil.
Quem media o debate é a jornalista Jéssica Balbino, que pesquisa e escreve sobre a cultura hip-hop e a arte produzida nas periferias.

Sobre o Flipoços
Esta é a 8ª edição do Festival Literário que recebe escritores nacionais e internacionais e é o quarto maior do tipo realizado no Brasil. Há três anos a organização do evento dedica um dia à atrações e artes da periferia.  Além da mesa feminina, esta edição do evento recebe também Toni C., RAPadura e Marcelino Freire para um debate sobre literatura e periferia. 

A finalização será feita com uma palestra do rapper Dexter, que acompanhado de Dj Loo faz um pocket show no festival. O graffiteiro Eduardo Kobra também faz uma participação especial no evento.


Serviço – O encontro acontece no próxima terça-feira (30) a partir das 14h no Espaço Cultural da Urca. O debate com a temática feminina está marcado para as 16h. A entrada é gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelo site do evento www.feiradolivropocosdecaldas.com.br

sábado, 20 de abril de 2013

Não me diga que tudo vai dar certo...

A cada dia é um pedaço que vai embora, um fio de esperança que se rompe, um ciclo que nunca se fecha no polo positivo! Frustração, rejeição e sentimento de perda são constantes. Não há luz mais e o túnel também não termina. Me dizem que vai passar e que o tempo cura tudo. Cura? Ainda tenho feridas antigas e que sangram! Somadas às novas, quanto tempo seria necessário para que houvesse a cura?! Me falam também sobre ser forte! O que ninguém sabe é que nunca fui fraca e todo dia foi uma luta! Sempre foi mais difícil e eu sempre sorri, pra que fosse mais leve! Sempre tentei acreditar que haveria um final, ou que a luz nunca se apagaria! Mas estou no meio de um túnel, no escuro, sozinha e sem esperança de sair de dentro dele! Perdi muita gente importante dentro desse túnel e só o que vejo é o limbo ... e neste caso sei que é só uma questão de tempo até que eu fique ainda mais sozinha! Cansei de me ajoelhar e orar, Valdemar, pedir, esperar, ter fé e paciência! Tudo isso foi minando, junto com a luz que foi ficando cada vez mais fraca até se apagar por completo! Mas ainda me dizem que é preciso ter fé e lutar, como se eu não tivesse feito isso a vida inteira ... Como se algum dia tivesse sido fácil! É claro que eu errei! Errei muito! Mas me arrependi, aprendi, mudei! Melhorei! Mas nunca mereci nada e todas conquistas me foram tiradas! Não tenho mais força e nem vontade de seguir! Não consigo mais! Mas este não é mais um pedido desesperado de socorro! Não é nada ... É só uma dor escrita, num diario aberto ! É só um restinho de amor próprio que teima em existir e me faz sofrer ainda mais! Minha vontade é me enterrar em mim mesma e só! Aceitar essa escuridão e entender que algumas pessoas são abençoadas e outras não ! Que assim como sou rejeitada pelos seres humanos, também sou por um Deus que não gosta muito de mim! E nao venham me dizer que Deus esta me poupando, que sabe o que e melhor pra mim e que esta guardando algo muito bom. Isso ate funcionaria se em algum momento eu tivesse conseguido algo que eu quis, ou se em algum momento eu tivesse sido aceita e nao rejeitada o tempo todo. Não me peçam nada e nem me digam que tudo vai ficar bem! Eu sempre acreditei e nunca ficou! Já doeu vezes demais pra que eu me machuque mais e mais uma vez! Não posso me enganar novamente! Não posso sorrir mais. falsamente, fingindo que sou forte, que acredito em Deus e que um dia as coisas vão dar certo. Elas não vão! Eu sou perdedora e pra isso não há remédios! Uns merecem, outros não. Eu sou da segunda turma! Não quero pena, nem falsa ajuda! Quero um remédio que cure essa dor! Não hoje, não agora! Pra sempre! E não, isso não é uma indireta! Não precisam vestir carapuça que é só uma reflexão !!! No fundo, eu só quero o fim, mesmo que seja no meio do túnel e não no final, como insistem que eu devo chegar, mesmo com essa dor insuportável! Física, mental e sentimental! Só a dor me preenche e tem sido minha companhia!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

E o fim...

'é belo e incerto, depende de como você o vê'  (O Teatro Mágico)


Ás vezes eu acho que Deus não existe e, pro caso dele existir, talvez não goste muito de mim. Faz meses que permaneço com o coração pequeno, apertado, cheio de dor, cheio de vontades, cheio de desânimo, numa confusão de sentimentos que não consigo romper e sair desse limbo.

Passo pelas mais variadas emoções num único dia e chego ao final dele com a sensação de que não fiz nada, mas não me importo tanto, só quero que o tempo passe, afinal, dizem que o tempo resolve tudo. Então, quanto mais ele passar, talvez menos mal eu me sinta.

Em tardes como esta, me desespero e começo a achar que não fiz a escolha cerca. Talvez o FIM tivesse sido a escolha mais sábia. E FODA-SE o outro lado, o fato de ter que lidar com a vida após a morte ou vagar infinitamente pelo inferno. Será que seria tão pior do que vagar infinitamente pela vida?

Comprei um livro com 101 coisas para fazer antes de casar, engravidar ou mesmo envelhecer, li até a metade, mas simplesmente não consigo achar graça nas coisas. Imagina o que é transar sem tesão: to assim diante da vida. Viver sem ânimo, sem vontade.

Não consigo mais me empolgar ou sentir graça diante das coisas da vida, até as mais simples. Estou absurdamente estafada. Cansada de brigar comigo mesma, de lutar com a vida, de ter que fazer o dobro de esforço para conseguir o mínimo. De ter que implorar atenção e ser descartável. De ficar doente quando o profissional está OK ou de ter que ralar muito pra me estabilizar profissionalmente.

Me sinto cansada. Acho que cansaço é o sentimento que melhor me define. Tô cansada demais para tentar algo novo, to cansada demais para achar graça em qualquer coisa ou me encantar com algo/alguém para saber que dali  a pouco terei o coração partido mais uma vez. Tô exatamente assim, cansada demais para ter o coração partido de novo e de novo.  E de repente, não tentar mais nada é mais tentador do que ingressar em qualquer tipo de luta.



Assumir e sentir esse cansaço é melhor do que seguir lutando. Essa falta de amor, esse excesso de rejeição me deixaram assim. Não consigo mais enxergar para além da névoa. E confesso que não tenho me empenhado em conseguir. Talvez simplesmente porque eu não consiga mais romper, talvez porque o cansaço só me faça querer ficar quietinha, deitada num canto, conversando comigo mesma e lamentando as minhas perdas e as minhas dores. O típico: lamber as feridas.

Me desgasto quando as pessoas me trazem fórmulas prontas: você precisa rir, precisa sair, precisa sair, precisa namorar, precisa ter mais amigos, precisa não apenas trabalhar, precisa viajar, precisa emagrecer (sempre), precisa ir à academia, precisa viajar ! Realmente, eu preciso disso tudo, mas não consigo mais lidar com as minhas próprias decepções, com as minhas rejeições, com os cacos no chão. Não consigo mais colar o coração e ninguém tem a fórmula pra isso.

Mas também ninguém tem obrigação de nada, tampouco de se importar. Tampouco de se dirigir a mim.  E essa constatação e a certeza de que estamos sozinhos, com nosso fardo, nosso karma, nossas dores, amores e doenças me faz questionar até onde vale a pena?! O que de fato vale a pena?! Será que vale se vestir de amor próprio e continuar lutando, diariamente, por mais espaço, por dias melhores, por pessoas que te amem, por praticar o bem, ou é mais fácil e menos desgastante se entregar?! Aceitar?! A aceitação talvez seja o mais difícil nesse processo todo. Não dá pra simplesmente aceitar que as coisas tem que ser assim. Não dá, é antinatural. Mas também não dá mais pra lutar. Logo, dar um fim em tudo talvez seja a opção mais sensata. Menos dolorosa.  Que te livra de todo o desespero interno e te conecta o que causa toda essa dor, todo esse sofrimento, afinal, quem tiver relatos de sucessos, de amores bem sucedidos e de vidas que deram certo, eu aceito ! Relatos de amor verdadeiro também fazem bem. O único problema é que na minha vida esse amor trafega por uma vida de mão única e só vai ...


sexta-feira, 12 de abril de 2013

O que vale a pena?




Me lembrei de quando eu tinha 16/17 anos e era apaixonada por um garoto que tinha uma banda! (Claro) ... Eu fazia qualquer coisa por ele... Isso incluía passar meus finais de semana nas garagens de 'amigos' vendo-os ensaiar !!! Saiamos de lá tarde da noite e íamos pra baladas de rock! Eu adorava e isso significava ficar mais horas perto dele! Mas, significava também voltar pra casa, sozinha, com frio, de madrugada e o pior, com o coração extremamente partido, por te-lo visto conversar com TODAS as pessoas da balada, menos comigo. Sem falar nas meninas que ele xavecava! Muitas vezes, as beijava na minha frente! E eu, masoquista, na minha infinita vontade de trazer pra realidade um romance que só existia na minha mente e definitivamente na minha vontade! Platonismo puro! E o pior de tudo é que pessoas como eu (MULHERES QUE AMAM DEMAIS- MADA) sempre acham que estão presas a outras pessoas e esse meu 'amor' não me mandava pro inferno mas também não aceitava! E esse 'fato' era o que me matava aos poucos, já que minha Autoestima falida me fazia acreditar que ele era a unica pessoa do mundo! E isso fazia com que ele se tornasse o centro do meu mundo! Mas, não havia nada de bom em troca! Eu só me doava. E quanto mais eu fazia isso, menos retorno eu tinha, mas distante ele ficava! Quanto mais eu me desgastava para fazê-lo se encantar, como tinha sido um dia, mais ele me repugnava e rejeitava! não havia formula e eu perdia noites acordada pensando nele e dias obcecada escrevendo cartas e emails, implorando atenção !!! Mas o martírio acontecia mesmo quando ele tinha shows com a banda! Eu estava sempre lá, com a minha melhor roupa, cabelo e unhas impecáveis, independência a flor da pele e um so desejo: ser amada e desejada pelo cara que me desprezava! (Cabe este parênteses para dizer que ele não me ignorava por completo... Sempre que ele precisava de algo, vinha até mim e de um jeito mágico me fazia esquecer a raiva que eu tinha de mim mesma por me sujeitar a tais situações e ao mesmo ele me fazia lembrar dos momentos de cumplicidade que tivemos e eu me derretia toda e não pensava fuás vezes pra abrir as pernas e atende-lo) mas ele mal me olhava e quando o fazia, eu percebia o desprezo nos olhos dele... O desconforto por eu estar ali! A desatenção pro que eu dizia ... E eu sempre criava pretextos pra chamar atenção, pra parecer feliz, pra parecer 'casual' a minha presença ali... Mas no final eu ia pra casa chorando e dava um prazer secreto a minha 'amiga' que me acompanhava nos roles, mas secretamente ja tinha se aberto aos xavecos dele! O pior foi quando liguei para um 'amigo' em comum, na casa de quem aconteciam os ensaios da banda e perguntei qual o horário dia ensaios, quando uma outra pessoa me disse que eu 'não poderia' ir ao ensaio, já que muita gente estava prejudicando o desempenho da banda. Perai! Eu estava ali antes destas pessoas... Como assim eu não podia assistir ao ensaio? Naquele dia eu quis sumir! chorei o que tava preso na garganta e dias depois, escrevi uma carta de umas 20 paginas pra o amigo, dono da casa, praticamente implorando pra que ele fosse meu amigo, pra que entendesse que ele era importante pra. mim, e realmente era!!! na época, meu pai achou a carta e me disse que precisávamos entender quando alguém não queria ser nosso amigo ... E eu levei muito tempo pra perceber que embora eles fossem importantes pra mim e fizessem parte de um lado bom da minha existência, eu não era importante pra eles... Pelo contrario, eu era descartável... Minha presença era indesejada e eu do era querida quando podia oferecer algo!!! Resumindo: eu estava enterrando uma das melhores fases da minha vida por conta de uma fixação que só eu sentia e que por conta da minha Autoestima fragilizada e da minha falta de amor, achava que ninguém mais no mundo me daria a mesma atenção (leia-se migalhas) que ele !!! Olha que coraçãozinho doentio !!! Por fim, precisei praticamente obriga-lo a dizer que não queria mais ser nem meu amigo (porque eu não conseguia tomar essa atitude sozinha, mas me ressentia com a forma que as coisas eram convenientes para ele, mas dolorosas para mim) e após essa decisão eu quis morrer, mas não tive forças nem pra isso... E foi aí que comecei a reagir... Eu ja estava na faculdade e recebia vários convites pra festas universitárias, nunca aceitava! Tinha preconceito com os estilos de musica ( eu so gostava de rap e de rock), tinha vergonha e medo de não ser aceita! Ate que um dia fui num Pub, no meu primeiro trabalho e encontrei um amigo da van que ia pra faculdade!!! Poucas vezes eu me diverti tanto como naquela noite! E o melhor, ele fez questão que eu estivesse ali!!! E ainda me levou em casa... Pela primeira vez, em anos, sorri ao invés de chorar depois de uma noite na rua! Percebi como tinha sido simples: perdi o medo, fui eu mesma, sem tentar impressionar ou encantar alguém, joguei fora o preconceito, e fiquei perto de quem me queria por perto, mesmo que isso significasse gente nova e que eu ainda precisava a aprender a confiar! Esse garoto que encontrei no Pub se tornou um grande amigo, bem mais companheiro do que os que eu havia deixado pra trás junto com o cara de quem eu tanto gostava... Esse mesmo amigo me ajudou inúmeras vezes, por anos e me ensinou MUITO!!! Tempos depois, nos encontramos novamente e ele foi sensível da mesma forma! Amigo! Companheiro e cúmplice... E vi que a vida valia por relações assim e não pelas que queríamos impor ou nos forcar a ter!!! Contando assim, parece fácil, mas fiquei muito tempo doente por conta dessa rejeição... E hoje, mais de 10 anos depois, me peguei numa situação parecida (guardadas as proporções) e quis escrever sobre isso! Ainda choro ao lembrar de tudo e acho que o que mais me dói é a falta de amor próprio! Se eu gostasse mais de mim, teria me respeitado e não teria me humilhado tanto por algo que alguém simplesmente não tinha/ não queria/ não podia me dar! Foi duplamente sofrido!!! Mas na época, sobreviver significava vitoria, hoje eu ja nem sei!!! Tempos depois, vi esse cara na rua e mó lugar do desprezo eu vi admiração nele.... Era compreensível, afinal, eu tinha me tornado a mulher que sempre disse a ele que seria ... Tinha lutado e conseguido.... E isso com um agravante: tendo que reconstruir um coração partido! Aí me lembrei de como foi bom eu ter conseguido me afastar quando ele não me quis e do quanto isso significou pra que eu aprendesse a ser eu mesma e conseguisse lutar sem esperar nada de ninguém! Isso foi decisivo pra que eu tivesse me tornado a mulher que ele admirou na rua! E naquele dia eu quase o agradeci por ele ter me rejeitado! Se ele tivesse me aceitado, talvez eu estaria como ele, e naquele dia eu tive o amor próprio que me faltou e gostei mais de mim.... Mais um tempo depois e quando a onda era o facebook, ele me adicionou e desconfio que a admiração e o encanto dele tivessem crescido, já que qualquer manifestação minha era curtida e comentada! Só que eu tinha perdido o tesão fazia tempo e tudo que eu havia mendigado, suplicado e implorado era descartável! Exclui e bloqueei! Não era mais importante ... Esses duas o vi ao atravessar a rua! Antes que ele pudesse dizer oi, me lembrei das palavras dele que me atravessaram muito, durante tanto tempo. Abaixei a cabeça e o ignorei, exatamente como ele fez comigo, quando a coisa mais importante da minha vida era falar com ele! Mas, de volta ao presente, me peguei numa história mais intensa, porém parecida na essência, principalmente na parte da falta de amor próprio, no desespero por só um pouco de atenção, no desespero para produzir encanto, etc! E me peguei errando da mesma forma... Supervalorizando amizades de quem não me quer por perto, de quem só me procura quando precisa, de quem é incapaz de perguntar se estou bem... Aí, eu mesma me pergunto se vale a pena insistir numa história que só é importante pra mim e perder a chance de vive, de ser eu mesma, de abrir espaço para quem realmente quer estar perto e construir algo junto? São estas questões que tem povoado a minha mente e relembrar isso tudo me fez ver que não quero cometer os mesmos erros ... Que se quando eu era adolescente q tivesse simplesmente me afastado, sem cobrar um fim, pode ser que eles tivessem ido atras, mas se não tivessem, pouco importa, eu ja estaria noutra mesmo... Mas, tudo isso só me faz concluir que eu preciso gostar mais de mim e menos das pessoas!!! Talvez o grande passo pra não errar exatamente igual seja esse: AMOR PRÓPRIO !!!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nem triste, nem feliz: em PAZ !

Hoje, no aniversário de 55 anos do meu poeta Cazuza, fica esta frase e este sentimento:

"Tem coisa que eu deixo passar. Não vale a pena. Tem gente que não vale a dor de cabeça.Tem coisa que não vale uma gastrite nervosa. Entende isso? Não vale. Não vale dor alguma, sacrifício algum."

Passei a vida inteira mendigando atenção e carinho de uma pessoa, que nunca me deu o que eu pedia. Até que um dia, não por maldade, mas por sinceridade, eu disse o que eu sentia. Essa mesma pessoa me cruxificou por isso. E disse que para ela eu tinha morrido. Não vou mentir. Doeu muito e ainda dói. Mas, não discuti. Não rebati. Não pedi nada além de perdão. Não lutei mais. E nunca mais mendiguei afeto dessa mesma pessoa. Que eu amava muito. Aceitei que ela não me queria. Que ela não me amava. E que, de fato, eu tinha morrido para ela. Assumi minha postura de quem já não existe mais. E a sensação hoje, anos depois, é de L-I-B-E-R-D-A-D-E ! Não posso dizer que estou triste, nem feliz. Mas estou em PAZ e talvez não exista sentimento melhor do que esse: Paz e liberdade. A justiça eu deixo por conta do tempo. Sempre ele, que é o responsável de tudo. Mas, fica também a ideia: não vale a pena mendigar por nada, nem por ninguém. Deixar a vida seguir e estar perto de quem realmente faz questão de você é o que importa. Quem não faz, é uma pena, mas, espero que essa sensação dure mais do que a carência e a necessidade de afeto e atenção.

quinta-feira, 28 de março de 2013

50 tons de preguiça

Hoje cedo vi o comentário do meu amigo Marcio Salata(a postagem pode ser lida aqui)  sobre quem lê '50 tons de cinza' e não sabe o que é KY, aí vendo os comentários embaixo do dele (tão mesquinhos e pequenos embaixo da publicação dele, que eu sei que foi despretensiosa e para brincar), eu senti uma preguiça IMENSA do mundo e uma vontade de expor um pouquinho do que eu penso, como o Cazuza 'Senhor, piedade, dessa gente CARETA E COVARDE ! Lhes dê um pouco de grandeza e corgem' 

50 TONS DE PREGUIÇA


O mais engraçado é que muita gente também NÃO LEU o livro e faz piadas, blogs e comenta com a maior propriedade do mundo, como se fossem PHD em BDSM e dominassem a literatura (ou mesmo a leitura estrangeira). Eu li toda a coleção e não gostei. Não gostei porque é um livro literariamente fraco, porque é machista e porque é tão BDSM como um sorvete de baunilha, se é que me entendem. É tão BDSM quanto um potinho de KY comprado na drogaria São Paulo numa tentativa vã de apimentar a relação. É um Sabrina de banquinha melhorado. É só isso. O livro e a saga toda do Christian Gray me cansaram porque são toscas. Mas, o que mais me cansa, são comentários de gente que não conhece a obra, tampouco literatura, e menos ainda do universo BDSM e quer expor a opinião. Gente que como a Jéssica Mello comentou ali em cima, acha que só quem é gorda (como é meu caso) e encalhada (não tenho propriedade para julgar ninguém neste aspecto mas sei que eu não sou) é que lê o livro. 
Não acho que o livro seja bacana, mas o li mesmo assim. Li porque fiquei curiosa. Li porque MUITA GENTE QUE NUNCA TINHA LIDO NADA estava lendo e comentando. Li para poder entender e ter uma opinião real sobre o assunto. Li porque sempre me interessei por BDSM e li para saber que o livro não tem NADA DISSO. Mas, não tiro o mérito da autora, que num país como o Brasil, onde as pessoas tem ORGULHO POR NÃO LER, conseguiu vender milhares de exemplares e fazer com que muita gente tivesse a coragem de comprar ou mesmo pegar emprestado, abrir e ler um livro...Por isso, não tiro o mérito do livro, embora concorde que está longe de ser a boa literatura. Mas, volto a repetir. Num país em que as pessoas se orgulham em não ler e que pouquíssimas pessoas fazem algo para mudar esta realidade, o livro é válido, sim ! É válido porque a partir dele a pessoa pode ter vontade de ler outras coisas e aí, mudar esse cenário lamentável. 
Então, fica a dica ! Eu li ele e outros 67 no ano passado (vide lista:http://jessicabalbino.blogspot.com.br/2013/01/livros-lidos-em-2012.html) e também sou gorda, mas coloco na roda que não sou encalhada e manjo muito mais de BDSM e de KY do que 99% dos que postam comentários toscos sem ler o livro. Portanto, sou gorda, não sou encalhada, li '50 tons de cinza e o restante da trilogia), já me aventurei no mundinho obscuro do SM e deixo, pra vocês, a diversão mais leve, para que aprendem um pouco e passem a se divertir, quem sabe, com menos PRÉ-CONCEITO na cama: http://www.erosmania.com.br/default.asp?secao=sexshop&parc=1160&gclid=COq147O2n7YCFRMZnQodrj0ALg 

É isso, 50 tons de preguiça com falta de conteúdo e preconceito de sobra !!!